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🧀 Queijos artesanais impulsionam a sustentabilidade dos pequenos produtores de leite no RS

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🧀 Queijos artesanais impulsionam a sustentabilidade dos pequenos produtores de leite no RS

Com a crescente instabilidade dos preços do leite no mercado interno, muitas famílias gaúchas têm buscado a agregação de valor como forma de garantir a viabilidade econômica de suas propriedades. Ao transformar o leite em queijos artesanais, produtores como Igor Valsoler, da região de Jóia, e Eloiza Debona, de Soledade, conseguiram reduzir a dependência da venda de matéria‑prima e criar fontes de receita mais estáveis.

O segmento de queijarias artesanais no Rio Grande do Sul registrou crescimento consistente nos últimos cinco anos, impulsionado pelo interesse dos consumidores por produtos diferenciados e de origem conhecida. Segundo o Sebrae‑RS, cerca de 45 pequenas agroindústrias de queijo recebem apoio técnico e de mercado, participando de concursos nacionais que aumentam a visibilidade e a aceitação dos seus produtos.

A valorização da identidade regional tem se tornado um diferencial competitivo. A recém‑fundada Associação das Queijarias do Queijo Colonial da Serra Gaúcha já trabalha na obtenção da Indicação Geográfica (IG) para o queijo colonial, seguindo o exemplo do queijo serrano, que conquistou a IG em 2020. Essa certificação permite ao produtor cobrar prêmios de preço, acessar nichos de exportação e fortalecer a marca “Made in RS”.

Para que o modelo seja replicável, é fundamental que as normas estaduais de produção artesanal sejam revisadas, considerando as diferenças de estrutura e capacidade de investimento entre micro‑queijarias e grandes indústrias. O MAPA e o SIF já oferecem linhas de inspeção simplificadas, mas ainda há lacunas que podem gerar custos adicionais de adequação. O investimento inicial para montar uma agroindústria de queijo varia de R$ 35 mil (equipamentos básicos) a valores que podem ultrapassar R$ 1 mi em instalações de maior porte.

Para os tomadores de decisão, a estratégia recomendada é iniciar com instalações dimensionadas à demanda real, priorizando equipamentos de fácil expansão e certificação sanitária adequada. Em paralelo, é aconselhável:

  • Buscar apoio financeiro em linhas de crédito específicas do BNDES e programas estaduais de fomento.
  • Investir em treinamento de equipe para atender às exigências do MAPA/SIF.
  • Alinhar a produção ao calendário de feiras e concursos, aproveitando a divulgação como ferramenta de marketing.
  • Considerar a obtenção de IG ou selo de origem como diferencial de preço.

Com a combinação de demanda crescente, apoio institucional e possibilidade de diferenciação por meio de IG, os queijos artesanais representam uma via sustentável para manter pequenos pecuaristas no campo, gerar renda adicional e fortalecer a cadeia leiteira gaúcha. A consolidação desse modelo dependerá da capacidade dos produtores de alinhar investimento, compliance regulatório e estratégias de mercado.


📰 Fonte: MilkPoint — Giro de Notícias

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