A Embrapa Pecuária Sul, em parceria com as unidades de Gado de Leite (MG) e Gado de Corte (MS), identificou e descreveu Moraxella tarda, uma nova espécie bacteriana vinculada à ceratoconjuntivite infecciosa bovina (CIB), popularmente conhecida como “mal do olho”. O microrganismo foi isolado da mucosa nasal de bezerros Hereford com sinais iniciais da doença, confirmando que a etiologia da CIB pode ser mais complexa do que se acreditava.
Para garantir o reconhecimento internacional, os pesquisadores seguiram rigorosos critérios taxonômicos, depositando cepas em coleções microbiológicas da Bélgica, Portugal e do Instituto Adolfo Lutz (SP). O sequenciamento completo do genoma demonstrou identidade genética única, e o nome tarda reflete o crescimento mais lento – cerca de 48 h para colônias visíveis – o que tem implicações diretas na detecção laboratorial e nos protocolos de diagnóstico.
Do ponto de vista gerencial, a descoberta abre caminho para revisitar as estratégias de controle da CIB. Atualmente, vacinas e tratamentos são direcionados principalmente às espécies M. bovis e M. bovoculi. A presença de M. tarda pode explicar falhas terapêuticas recorrentes e perdas de produtividade, já que a doença provoca dor ocular, lacrimejamento, úlceras corneanas e, consequentemente, redução do apetite e do ganho de peso. Investir em diagnósticos multiplex que incluam a nova espécie pode reduzir custos com tratamentos ineficazes.
Em termos econômicos, a CIB representa um ônus significativo: diminuição da ingestão de matéria seca, queda na produção de leite, aumento de manejo veterinário e risco de abate precoce. A inclusão de M. tarda nos protocolos de monitoramento sanitário permite intervenções mais precisas, potencialmente reduzindo perdas de até 15 % em lotes afetados, conforme estudos de impacto de doenças oculares em rebanhos de corte e leite.
Do ponto de vista regulatório, o MAPA e o SIF deverão avaliar a necessidade de atualizar a lista de agentes patogênicos ocularmente relevantes e as diretrizes de boas práticas de produção. A antecipação dessas mudanças pode evitar sanções em auditorias de exportação e garantir a conformidade com exigências de mercados exigentes, como a UE e o Canadá.
Para os gestores de laticínios, a recomendação prática é clara: intensificar a vigilância ocular, solicitar ao laboratório parceiro a inclusão de M. tarda nos testes de rotina, revisar planos de vacinação e considerar programas de seleção genética voltados à resistência ocular. Essas ações, alinhadas à expertise da Consulak em projetos de PAC e rotulagem, podem transformar um risco sanitário emergente em oportunidade de ganho de eficiência e competitividade no mercado lácteo brasileiro.
📰 Fonte: MilkPoint — Giro de Notícias