Um levantamento regional elaborado a partir de dados de organismos internacionais e entidades setoriais para 2024‑2025 indica que a Argentina lidera a AmĂ©rica Latina com o menor custo de produção de leite, estimado entre US$ 0,31 e US$ 0,36 por litro. Logo em seguida, Uruguai (US$ 0,34‑0,39) e Paraguai (US$ 0,35‑0,40) compõem o grupo mais competitivo. O Brasil aparece no segundo nĂvel de análise, com custos que variam de US$ 0,39 a US$ 0,46 por litro, posicionando‑se atrás da Nicarágua (US$ 0,38‑0,46) e Ă frente do Chile (US$ 0,41‑0,47).
Estrutura de custos – O estudo destaca que a alimentação do rebanho representa entre 52 % e 65 % do custo total de produção, sendo o principal fator econômico em praticamente todos os sistemas produtivos da região. Essa parcela elevada evidencia que qualquer estratégia de redução de custos deve partir da otimização da nutrição animal, seja por meio de formulações mais eficientes, uso de subprodutos ou tecnologias de alimentação de precisão.
O preço pago ao produtor na regiĂŁo gira em torno de US$ 0,46 por litro, valor que, no caso brasileiro, pode superar o limite superior do custo de produção (US$ 0,46). Essa convergĂŞncia reduz a margem de lucro dos laticĂnios, exigindo ações de melhoria de eficiĂŞncia operacional e de gestĂŁo de custos para manter a rentabilidade.
Para os tomadores de decisĂŁo, o posicionamento brasileiro tem implicações diretas no planejamento de investimentos. A diferença de custo em relação aos paĂses mais competitivos (Argentina, Uruguai) indica espaço para ganhos de produtividade, seja aumentando a produção mĂ©dia por vaca – atualmente 2.150 L/ano – ou reduzindo o custo da ração. AlĂ©m disso, a competitividade de custos influencia a capacidade de exportação, sobretudo em mercados onde o MAPA (MinistĂ©rio da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e o SIF (Serviço de Inspeção Federal) exigem transparĂŞncia e rastreabilidade de custos.
Recomendações Consulak:
- Implementar programas de Precision Feeding para reduzir a variabilidade da alimentação e melhorar a conversão alimentar.
- Investir em melhoramento genético visando elevar a produção per‑cabeça acima da média regional.
- Rever contratos de compra de insumos e avaliar alternativas de sourcing local, reduzindo a dependência de importações de ração.
- Alinhar projetos de PAC (Programa de Aquisição de Crédito) e rotulagem às exigências do MAPA/SIF, garantindo que a redução de custos não comprometa a conformidade regulatória.
đź“° Fonte: MilkPoint — Giro de NotĂcias