Em setembro de 2026, a balança comercial brasileira de lácteos registrou um dĂ©ficit de 237,6 milhões de litros em equivalente‑leite, elevação de 8,5% em relação ao mĂŞs anterior, que apresentava 219 milhões de litros. As importações somaram 243 milhões de litros (↑ 8,7%) enquanto as exportações totalizaram 5,4 milhões de litros (↑ 6,5%). Esse desequilĂbrio evidencia um cenário de maior dependĂŞncia externa, sobretudo de produtos de origem mercosul.
O principal motor do aumento das compras externas foi a retomada das importações da Argentina e do Uruguai, paĂses que atualmente operam com superávit de produção leiteira acima dos nĂveis de 2025. Essa abundância regional gera pressĂŁo descendente nos preços internacionais, tornando a importação mais atrativa para indĂşstrias que buscam suprir demandas sazonais ou otimizar custos de matĂ©ria‑prima.
Nos detalhes de produto, destaca‑se o crescimento de 7,2% nas importações de Whey Protein Concentrate (WPC), que passaram de 546,5 t para 586,0 t. Paralelamente, observa‑se uma tendência de substituição parcial do WPC por leite em pó desnatado (LPD) em formulações industriais, refletindo a busca por alternativas de menor custo. No lado das exportações, o volume de soro de leite aumentou, enquanto as vendas de queijos sofreram retração, indicando uma reconfiguração da pauta exportadora brasileira.
Do ponto de vista estratĂ©gico, os gestores de laticĂnios precisam considerar trĂŞs variáveis crĂticas: (i) o preço do LPI e LPD no GDT, que permanece elevado, pressionando margens; (ii) a cotação do dĂłlar, ainda abaixo dos patamares de 2023, reduzindo o custo efetivo das importações; e (iii) a convergĂŞncia dos custos de aquisição de derivados externos e nacionais, que pode reduzir a vantagem competitiva dos produtos importados. Esses fatores combinados exigem uma revisĂŁo dos contratos de fornecimento e da estratĂ©gia de mix de produtos.
Para os prĂłximos meses, a expectativa Ă© de que a competitividade dos lácteos brasileiros se recupere Ă medida que os preços no Mercosul se estabilizem e o dĂłlar se mantenha favorável. Recomenda‑se monitorar de perto as atualizações do MAPA e da SIF quanto a requisitos de rotulagem e certificação de produtos importados, bem como avaliar a viabilidade de substituir WPC por LPD em processos internos. A Consulak está pronta para apoiar a reestruturação de portfĂłlios, otimização de custos e adequação regulatĂłria, garantindo que seu laticĂnio mantenha margem saudável em um mercado cada vez mais volátil.
📰 Fonte: MilkPoint — Panorama de Mercado