Ao final de cada ciclo de 10 meses de ordenha, as vacas leiteiras entram no chamado período seco, que dura cerca de 60 dias. Essa pausa não é opcional; trata‑se de um intervalo fisiológico essencial para que o úbere (glândula mamária) se recupere e para que o animal direcione energia à própria saúde e ao desenvolvimento fetal.
Do ponto de vista biológico, o descanso do úbere reduz a incidência de mastite e permite a regeneração dos tecidos mamários, o que se traduz em maior produção de leite na lactação subsequente. Paralelamente, o descanso uterino de 60 dias após o parto favorece a cicatrização do endométrio, diminui o risco de complicações reprodutivas e garante que a vaca esteja pronta para conceber novamente, mantendo o intervalo de gestação em torno de um ano.
Para o gestor de um laticínio, a decisão de respeitar o período seco tem implicações diretas no fluxo de caixa. Embora haja perda de produção durante esses dois meses, a recuperação da capacidade produtiva gera ganhos de até 15 % na produção do próximo lactato, segundo estudos da Embrapa. Além disso, vacas que permanecem em lactação contínua tendem a apresentar maior taxa de descarte por mastite crônica, elevando custos com tratamento e substituição de animais.
No Brasil, o MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e o SIF (Serviço de Inspeção Federal) estabelecem normas que recomendam um período seco mínimo de 45 dias, com 60 dias sendo a prática mais segura para otimizar a saúde animal e a qualidade do leite. O descumprimento dessas diretrizes pode acarretar sanções sanitárias e impactar a certificação de qualidade, afetando a aceitação do produto no mercado interno e de exportação.
Para transformar essa exigência em vantagem competitiva, a Consulak recomenda que os produtores adotem ferramentas de gestão de rebanho que monitorem o início e o término do período seco, ajustem a dieta de transição (reduzindo a energia e aumentando a proteína) e programem a inseminação de forma a garantir um parto sincronizado com o final da pausa. Essa abordagem integrada reduz custos operacionais, melhora a previsibilidade da produção e fortalece a conformidade regulatória, aspectos críticos para a tomada de decisão estratégica em laticínios modernos.
📰 Fonte: G1 — Agronegócios
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