O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma ampliação de 90 dias na cota de importação de carne bovina, com o objetivo declarado de reduzir os preços ao consumidor, especialmente da carne moída utilizada em hambúrgueres. A medida surge em um cenário de alta histórica nos preços – a libra de carne moída chegou a US$ 6,82 em junho, 79% acima de 2019 – e de um rebanho nacional no menor nível em 75 anos.
Além da escassez de gado, os EUA suspenderam, em 2025, a maioria das importações de bovinos do México devido ao risco da bicheira-do‑Novo‑Mundo, o que restringe ainda mais a oferta interna. Essa combinação de fatores pressiona os preços e cria um ambiente propício para intervenções comerciais que podem reverberar em outros setores exportadores.
Para o Brasil, a decisão traz uma oportunidade potencial: atualmente o país opera dentro de uma cota compartilhada que, ao ser esgotada, impõe uma tarifa extra‑cota de 26,4 %. Se a nova cota incluir o Brasil, a competitividade da carne bovina brasileira nos EUA pode melhorar, ampliando os volumes que já mostraram crescimento – 233,8 mil toneladas exportadas entre janeiro e julho de 2026, gerando US$ 1,54 bilhão, um aumento de 33,1 % em relação ao ano anterior.
Embora o foco seja a carne, os exportadores de laticínios devem analisar os efeitos colaterais. A alta nos preços de carne pode elevar os custos de ração, impactando a produção de leite nacional. Simultaneamente, a abertura de espaço tarifário nos EUA pode facilitar a entrada de produtos lácteos brasileiros, que já contam com cerca de 50 frigoríficos habilitados para o mercado americano. O MAPA e a SIF precisam garantir que a documentação sanitária e de rotulagem esteja alinhada às exigências temporárias que possam surgir.
Entretanto, a medida traz incertezas: a publicação de Trump não especificou quais países serão beneficiados nem os critérios de alocação. Além disso, a investigação solicitada contra os quatro maiores frigoríficos norte‑americanos (JBS, National Beef/Marfrig, Cargill e Tyson) pode gerar instabilidade no segmento de proteína animal, afetando cadeias de suprimento que incluem subprodutos lácteos como o soro.
- Monitorar diariamente as diretrizes do U.S. Department of Agriculture (USDA) e as atualizações de tarifa.
- Reforçar a conformidade com as normas do MAPA e da SIF para garantir agilidade na liberação de documentos de exportação.
- Considerar a diversificação de portfólio, priorizando produtos lácteos de maior valor agregado (queijos artesanais, iogurtes funcionais) para o mercado norte‑americano.
- Explorar parcerias estratégicas com distribuidores e processadores locais nos EUA, aproveitando a possível redução de barreiras tarifárias.
- Utilizar a expertise da Consulak para adequar PACs e rotulagem às exigências emergentes, mitigando riscos regulatórios.
📰 Fonte: G1 — Agronegócios
%2Fhttps%3A%2F%2Fi.s3.glbimg.com%2Fv1%2FAUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a%2Finternal_photos%2Fbs%2F2025%2F9%2Fu%2FC10okeTQegyhzoBrPagA%2Fjean-claude-attipoe-etjiql0adwi-unsplash.jpg&w=1200&q=75)