Voltar para Notícias

🥛 China eleva importações de queijos em 17% e de leite em pó integral em 6% em 2026 – Impactos para laticínios brasileiros

0 acessos Notícias do Setor
🥛 China eleva importações de queijos em 17% e de leite em pó integral em 6% em 2026 – Impactos para laticínios brasileiros

O mercado chinês de laticínios mostrou sinais de recuperação em 2026, com destaque para o aumento de 17% nas importações de queijos (152 mil toneladas) e de 6% no volume de leite em pó integral (318 mil toneladas) entre janeiro e agosto. Esses números, divulgados pelo Instituto Nacional do Leite do Uruguai (INALE), revelam uma reorientação da demanda chinesa, que pode abrir novas janelas de oportunidade para exportadores brasileiros que ainda não têm presença significativa nesses segmentos.

Os queijos lideram o crescimento, mas a análise de origem indica que 63% das importações vêm da Nova Zelândia, seguida por Austrália (16%) e Itália (4%). Para a indústria brasileira, isso significa que a competitividade de preço e a diferenciação de produto são cruciais. O MAPA e o SIF exigem certificação de origem, rastreabilidade e rotulagem em mandarim, requisitos que podem ser transformados em vantagem competitiva para marcas brasileiras que investirem em compliance e em narrativas de qualidade premium.

O segmento de leite em pó integral também avançou, embora a Nova Zelândia concentre 94% das compras. Essa concentração indica uma vulnerabilidade da cadeia de suprimentos chinesa a choques externos, como restrições climáticas na Nova Zelândia. Produtores brasileiros, especialmente os que operam com leite de alta qualidade e certificação orgânica, podem explorar nichos de mercado que buscam diversificação de fornecedores, oferecendo condições de pagamento flexíveis e apoio logístico para reduzir o lead‑time.

As importações de manteiga e gordura anidra de leite cresceram 12%, com a Nova Zelândia respondendo por 85% do volume. A presença de produtores franceses e holandeses (5% e 3%) demonstra que a China ainda valoriza a variedade de perfis de sabor. Laticínios brasileiros que produzam manteiga com características regionais (ex.: manteiga de leite de pasto) podem posicionar-se como alternativas de valor agregado, desde que atendam às exigências de rotulagem nutricional e declaração de origem previstas pelos órgãos reguladores.

Por outro lado, categorias como fórmulas infantis, leite, creme de leite e soro registraram retração, refletindo ajustes de demanda pós‑pandemia e políticas de substituição de importações. Essa queda abre espaço para que fabricantes brasileiros renegociem contratos de longo prazo, invistam em inovações funcionais (p. ex., pós‑bióticos) e explorem acordos de cooperação com distribuidores chineses que buscam reposicionar portfólios. O alinhamento com as normas de segurança alimentar do MAPA e a obtenção de certificação SIF são pré‑requisitos indispensáveis para qualquer estratégia de entrada ou expansão no mercado chinês.

📰 Fonte: MilkPoint — Giro de Notícias