A 22ª edição da Feicorte, realizada em Presidente Prudente (SP), consolidou-se como o maior ponto de encontro da cadeia produtiva de carne da América Latina, reunindo produtores, pesquisadores, investidores e empresas de tecnologia. Para o setor lácteo, o evento representa um termômetro de tendências que podem ser transpostas para a produção de leite, sobretudo em regiões que concentram mais de 2,3 milhões de cabeças de gado, equivalentes a 20 % do rebanho paulista.
Os estandes de tecnologia e genética apresentaram soluções avançadas, como protocolos de melhoramento genético de alta performance, que já são aplicáveis ao melhoramento de vacas leiteiras. Raças premium como o Wagyu, reconhecidas pelo marmoreio, e a Texas Longhorn, adaptada a climas extremos, ilustram a importância de selecionar características específicas – resistência, produtividade e qualidade – que podem ser incorporadas em programas de melhoramento de leite, reduzindo custos de manejo e aumentando a rentabilidade.
Durante a feira foram realizados seis leilões de animais, gerando negócios que reforçam a ferramenta de fomento da cadeia. Para os laticínios, a compra de sêmen e embriões de alta qualidade pode representar uma estratégia de redução de custos de reposição de rebanho e de aceleração da melhoria genética, impactando diretamente a produção de leite e a qualidade do produto final.
Os debates abordaram questões regulatórias críticas: o reconhecimento da China de que o Brasil está livre da febre aftosa abre portas para exportações de carne e, por extensão, de derivados lácteos, enquanto as restrições da União Europeia continuam a limitar o acesso a mercados premium. Essa dualidade exige que os produtores de leite estejam alinhados às normas do MAPA e da SIF, especialmente em termos de sanidade animal e rotulagem, para garantir competitividade internacional.
Com quase R$ 1,5 bilhão movimentados nos primeiros quatro meses de 2026, o setor demonstra resiliência e potencial de expansão. A integração entre produção de carne e leite, cada vez mais comum em propriedades diversificadas, pode aproveitar as mesmas infraestruturas de leilões, logística e tecnologia, gerando sinergias de custo e ampliando a margem de lucro.
Para os tomadores de decisão em laticínios, a mensagem estratégica é clara: investir em programas de melhoramento genético alinhados às inovações apresentadas na Feicorte, adotar tecnologias de monitoramento e gestão de rebanho, e manter vigilância constante sobre as barreiras comerciais. Consultorias especializadas, como a Consulak, podem orientar a implementação de projetos de PAC, adequação de rotulagem e conformidade regulatória, transformando as oportunidades da Feicorte em ganhos concretos para a indústria láctea brasileira.
📰 Fonte: G1 — Agronegócios